domingo, 22 de fevereiro de 2015

Simplesmente... Um filme do que podem encontrar num copo

Simplesmente... A vossa espera com as minhas novidades no Simplesmente Vinho 2015!

Local : Ribeira do Porto

Horarios :
Sexta-feira 27 de Fevereiro das 17 as 22h
Sabado 28 de Fevereiro das 16 as 22h

No copo encontrarão o que esta neste video!
Até ja!

video





terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O encepamento do Dão pré-filoxérico

Existem regiões viticolas que apresentam a particularidade de usarem apenas uma casta tinta.
E por exemplo o caso da Borgonha em França, onde a casta Pinot Noir reina sozinha nos tintos, ou o caso da Bairrada em Portugal, com a casta Baga.

O Dão, desde que ha memoria sempre foi uma região de blend, ou seja de mistura de castas.
Até ha 30 anos atras, a região era mesmo uma região de "field blend" ou seja a "mistura" era feita directamente na vinha aquando da plantação, variando depois a composição nos vinhos de ano para ano consoante as caracteristicas climaticas do ano e seu impacto no desempenho de cada casta.

Ouvi muita vez dizer que antes da phylloxéra, no século XIX, o encepamento no Dão era essentialmente dominado por uma casta tinta, a Touriga Nacional.

Tal facto, a confirmar-se, entraria em contradição com o que foram os ultimos 100 anos na região. Ficou por isso a interrogação que me levou a pesquizar sobre esta questão.

Existem pela net fora, para quem se quizer dar ao trabalho de ler, varios estudos de cientificos portugueses sobre este tema.

Os primeitos dados escritos sobre o encepamento da região remontam a 1867 (Villa-Maior, et al., 1867).

São em 1867 mencionadas os seguintes nomes para castas tintas :
Alvarelhão, Amaral, Baga, Bastardo, Boca de Mina, Coração de Galo, Meirinho, Negro Mouro, Penamacor, Pilongo, Tinta Amarela, Tinta Carvalha, Tinta Francisca, Tourigo.

Como vemos a Touriga Nacional, ja nessa altura era apenas uma entre varias...
No melhor dos casos, menciona-se uma repartição por concelho, em que a Touriga Nacional, a par da Alvarelhão e da Bastardo, são as tintas mencionadas em maior numero de concelhos.

Pessoalmente continuo portanto até prova do contrario a concluir que a região ja naquela altura era uma região de blend.

Outra conclusão a que chego ao ler esta lista é mais pessoal, ja que tem a ver com os vinhos que fiz em 2011 e 2012.

Vinhos de vinha velha com muitas castas, mas em que 4 castas constituem a base, são elas a Baga, a Negro Mouro, a Tinta Amarela e a Tinta Pinheira (tambem conhecida por Penamacor).

Pois vejo que nesta lista de 1867, ja la constavam estas 4 castas.

E interessante constatar este facto por diversos motivos.

Primeiro porque significa que de facto os meus vinhos testemunham do que era o Dão de outrora. Podendo mesmo se falar do Dão pré-phylloxerico.

Segundo porque nesta lista consta la uma das castas mais desprezadas hoje em dia e que pessoalmente tenho orgulho em contribuir para a sua preservação. A Negro Mouro.
Casta tipica nos encepamentos antigos da região, mas que hoje não é autorizada em plantações para vinho DOC. Alias até a menção do nome Negro Mouro é proibida nos contra-rotulos. Fui obrigado por isso a mencionar a sinonimia autorizada "Camarate".
Pena o legislador não ter mais respeito pelos factos historicos...

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Poda, trabalho dos solos e plantação de bacelos... Dois meses sem parar!

Os ultimos dois meses têm sido intensos em termos de trabalho nas diversas vinhas velhas que cultivo.
Este ano, a area de cultivo aumentou outra vez, com mais algumas vinhas em relação ao ano anterior. O volume de tabalho a realizar nas vinhas tem por isso aumentado significativamente.

Hoje vou-vos falar um pouco do que tem sido feito. 

Podemos classificar o trabalho realizado em 3 familias :
-          a poda
-          o trabalho dos solos
-          a replantação de falhas

As podas e os trabalhos do solo são trabalhos realizados cada ano nesta altura, enquanto no caso da replantação de falhas estamos a falar de uma operação mais ocasional.


A poda continua a ser feita em Guyot, a poda tradicional nas vinhas velhas da região.

E o tipo de poda que na nossa opinião melhor convem a saude e longevidade destas videiras. 

Este trabalho de poda é para nos, um dos mais importantes do ano. Condiciona e muito a produção do ano em quantidade e qualidade. E o primeiro passo que define a base do que vira a ser o vinho de 2015.





O trabalho dos solos é outra da base do trabalho que realizamos.

Para nos até diria que é o mais importante de tudo o que fazemos.

Trabalhamos o solo mecanicamente, com o cavalo e a enxada exclusivamente.

Da por isso imenso trabalho, duro, cansativo, custoso… Mas para nos essencial para a vida dos solos, para a alimentação da videira, para a expressão do terroir.




Nesta altura do ano, estes trabalhos do solos consistem em descompactar os solos, permitir o seu arrejamento e a canalização das aguas das chuvas invernas para as zonas das raizes das videiras.

Mais tarde na primavera, teremos de voltar a trabalhar os solos. Continuaremos então a cavalo e a enxada, sem herbicidas. 

Em relação a replantação de falhas, tinha-vos contado num post anterior que tinha estes ano o projecto de replantar as falhas em duas vinhas velhas. 

Mas replantar sem fazer asneiras. 
Poderia ir ao mercado e comprar TN ou TR ja enxertado e planta-lo, descaracterizando assim as vinhas, diluindo assim a sua identidade. 

Mas não foi esse o caminho que escolhi. Fugi do facil, segui as minhas convicções. Vou replantar com varas das proprias vinhas.

No ultimo mês foram assim plantados a enxada 900 bacelos bravos. Trabalho importante, que tera continuidade no proximo verão e depois no ano a seguir. 

No proximo verão, iremos escolhar as varas que iremos utilizar na replantação. 

Cada vinha tera assim as suas falhas replantadas com o material genetico da propria vinha no ano a seguir. Perde-se assim tempo e dinheiro, mas preserva-se identidade.