domingo, 22 de fevereiro de 2015

Simplesmente... Um filme do que podem encontrar num copo

Simplesmente... A vossa espera com as minhas novidades no Simplesmente Vinho 2015!

Local : Ribeira do Porto

Horarios :
Sexta-feira 27 de Fevereiro das 17 as 22h
Sabado 28 de Fevereiro das 16 as 22h

No copo encontrarão o que esta neste video!
Até ja!

video





terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O encepamento do Dão pré-filoxérico

Existem regiões viticolas que apresentam a particularidade de usarem apenas uma casta tinta.
E por exemplo o caso da Borgonha em França, onde a casta Pinot Noir reina sozinha nos tintos, ou o caso da Bairrada em Portugal, com a casta Baga.

O Dão, desde que ha memoria sempre foi uma região de blend, ou seja de mistura de castas.
Até ha 30 anos atras, a região era mesmo uma região de "field blend" ou seja a "mistura" era feita directamente na vinha aquando da plantação, variando depois a composição nos vinhos de ano para ano consoante as caracteristicas climaticas do ano e seu impacto no desempenho de cada casta.

Ouvi muita vez dizer que antes da phylloxéra, no século XIX, o encepamento no Dão era essentialmente dominado por uma casta tinta, a Touriga Nacional.

Tal facto, a confirmar-se, entraria em contradição com o que foram os ultimos 100 anos na região. Ficou por isso a interrogação que me levou a pesquizar sobre esta questão.

Existem pela net fora, para quem se quizer dar ao trabalho de ler, varios estudos de cientificos portugueses sobre este tema.

Os primeitos dados escritos sobre o encepamento da região remontam a 1867 (Villa-Maior, et al., 1867).

São em 1867 mencionadas os seguintes nomes para castas tintas :
Alvarelhão, Amaral, Baga, Bastardo, Boca de Mina, Coração de Galo, Meirinho, Negro Mouro, Penamacor, Pilongo, Tinta Amarela, Tinta Carvalha, Tinta Francisca, Tourigo.

Como vemos a Touriga Nacional, ja nessa altura era apenas uma entre varias...
No melhor dos casos, menciona-se uma repartição por concelho, em que a Touriga Nacional, a par da Alvarelhão e da Bastardo, são as tintas mencionadas em maior numero de concelhos.

Pessoalmente continuo portanto até prova do contrario a concluir que a região ja naquela altura era uma região de blend.

Outra conclusão a que chego ao ler esta lista é mais pessoal, ja que tem a ver com os vinhos que fiz em 2011 e 2012.

Vinhos de vinha velha com muitas castas, mas em que 4 castas constituem a base, são elas a Baga, a Negro Mouro, a Tinta Amarela e a Tinta Pinheira (tambem conhecida por Penamacor).

Pois vejo que nesta lista de 1867, ja la constavam estas 4 castas.

E interessante constatar este facto por diversos motivos.

Primeiro porque significa que de facto os meus vinhos testemunham do que era o Dão de outrora. Podendo mesmo se falar do Dão pré-phylloxerico.

Segundo porque nesta lista consta la uma das castas mais desprezadas hoje em dia e que pessoalmente tenho orgulho em contribuir para a sua preservação. A Negro Mouro.
Casta tipica nos encepamentos antigos da região, mas que hoje não é autorizada em plantações para vinho DOC. Alias até a menção do nome Negro Mouro é proibida nos contra-rotulos. Fui obrigado por isso a mencionar a sinonimia autorizada "Camarate".
Pena o legislador não ter mais respeito pelos factos historicos...

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Poda, trabalho dos solos e plantação de bacelos... Dois meses sem parar!

Os ultimos dois meses têm sido intensos em termos de trabalho nas diversas vinhas velhas que cultivo.
Este ano, a area de cultivo aumentou outra vez, com mais algumas vinhas em relação ao ano anterior. O volume de tabalho a realizar nas vinhas tem por isso aumentado significativamente.

Hoje vou-vos falar um pouco do que tem sido feito. 

Podemos classificar o trabalho realizado em 3 familias :
-          a poda
-          o trabalho dos solos
-          a replantação de falhas

As podas e os trabalhos do solo são trabalhos realizados cada ano nesta altura, enquanto no caso da replantação de falhas estamos a falar de uma operação mais ocasional.


A poda continua a ser feita em Guyot, a poda tradicional nas vinhas velhas da região.

E o tipo de poda que na nossa opinião melhor convem a saude e longevidade destas videiras. 

Este trabalho de poda é para nos, um dos mais importantes do ano. Condiciona e muito a produção do ano em quantidade e qualidade. E o primeiro passo que define a base do que vira a ser o vinho de 2015.





O trabalho dos solos é outra da base do trabalho que realizamos.

Para nos até diria que é o mais importante de tudo o que fazemos.

Trabalhamos o solo mecanicamente, com o cavalo e a enxada exclusivamente.

Da por isso imenso trabalho, duro, cansativo, custoso… Mas para nos essencial para a vida dos solos, para a alimentação da videira, para a expressão do terroir.




Nesta altura do ano, estes trabalhos do solos consistem em descompactar os solos, permitir o seu arrejamento e a canalização das aguas das chuvas invernas para as zonas das raizes das videiras.

Mais tarde na primavera, teremos de voltar a trabalhar os solos. Continuaremos então a cavalo e a enxada, sem herbicidas. 

Em relação a replantação de falhas, tinha-vos contado num post anterior que tinha estes ano o projecto de replantar as falhas em duas vinhas velhas. 

Mas replantar sem fazer asneiras. 
Poderia ir ao mercado e comprar TN ou TR ja enxertado e planta-lo, descaracterizando assim as vinhas, diluindo assim a sua identidade. 

Mas não foi esse o caminho que escolhi. Fugi do facil, segui as minhas convicções. Vou replantar com varas das proprias vinhas.

No ultimo mês foram assim plantados a enxada 900 bacelos bravos. Trabalho importante, que tera continuidade no proximo verão e depois no ano a seguir. 

No proximo verão, iremos escolhar as varas que iremos utilizar na replantação. 

Cada vinha tera assim as suas falhas replantadas com o material genetico da propria vinha no ano a seguir. Perde-se assim tempo e dinheiro, mas preserva-se identidade.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Simplesmente... O teaser do Simplesmente Vinho 2015!

Aqui fica o link para o video de apresentação do evento Simplesmente Vinho 2015!

http://vimeo.com/116480985

Sexta 27 e Sabado 28 de Fevereiro la estarei na Ribeira do Porto a vossa espera de copo na mão!


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Simplesmente Vinho 2015 - 27 & 28 Fev no Porto (Ribeira)

A edição 2015 do Simplesmente Vinho esta ai a bater a porta!


Trata-se do evento vinico mais "underground" em Portugal.
Dias 27 & 28 de Fevereiro no Porto (Ribeira) la estarei a vossa espera!

Fica aqui uma pequena amostra de como foi em 2014.
Apareçam!



sábado, 27 de dezembro de 2014

O peso historico da Baga no Dão

Hoje em dia quando falamos do Dão, poucos associam a casta Baga a esta região.
No imaginario colectivo a Baga esta muito mais associada a Bairrada.

Neste blog tenho explicado que nas vinhas velhas do Dão Serrano a Baga forma a par da Jaen e da Tinta Amarela a base do encepamento. Ou seja, estas vinhas testemunham da presença massiva da Baga na região de outrora.

No post de hoje, partilho convosco o seguinte quadro, baseado num estudo encontrado na net. Estudo realizado por 3 cientificos portugueses sobre a evolução do encepamento da região demarcada do Dão (LC Carneiro, Antero Martins e Vanda Pedroso).


Este quadro baseia-se nos dados do Cadastro Viticola dos concelhos da região demarcada do Dão, publicados no inicio dos anos 80 (entre 1983 e 1985). Mostra as duas castas tintas mais presentes no encepamento de cada um destes concelhos na altura, assim como a % do encepamento.

Baga do concelho de Seia
Vemos que a Baga estava no inicio dos anos 80 nas duas castas tintas mais plantadas em cada concelho do Dão (salvo Fornos de Algodres). Associada geralmente com Jaen ou Tinta Amarela, por vezes tambem com Tinta Pinheira, Negro Mouro ou Tinta Carvalha.

As percentagens da Baga e da segunda casta representava 45 a 95% do encepamento.

A Baga era portanto a grande casta do Dão.

Hoje em dia a Baga desapareceu das plantações, sobrevive nas poucas vinhas velhas que restam.

Tal como a Tinta Pinheira, a Negro-Mouro ou a Tinta Carvalha, é hoje mal amada pelos produtores da região.

Preferem focarem-se nas pseudos castas ditas "nobres", por exemplo na estrangeira Tinta Roriz, casta mal adaptada as caracteristicas climaticas da região.

Chega a dar a sensação que os produtores do Dão têm vergonha do passado da região, das suas raizes historicas.


Ora como ja perceberam, este blog e este projecto vitivinicola é exactamente o contrario.
E um projecto que tem orgulho no Dão, na sua historia e que procura valorizar o que resta do seu patrimonio historico, antes que caia definitivamente no esquecimento...

Finds of the year

O meu Dão 2011 foi considerado pela critica britanica Sarah Ahmed como uma das suas descobertas do ano de 2014!

E para este projecto uma grande noticia que partilho convosco aqui :
http://thewinedetective.co.uk/blog/australia/2014-review-surprises-sublime

"Niepoort have also made incursions into the Dão, in Serra d’Estrela where another of my “finds of the year,” Antonio Madeira, is similarly focused on old vines/restrained, terroir-translucent wines.  I hope Madeira is able to realise his dream to make wine full-time – he is a talented self-taught winemaker and engineer like Alvaro Castro, in whose cellars he makes his wine and who himself has a very exciting new old vine small parcel (1 barrel!) project.  (Incidentally, I came across Madeira and Castro’s old vine wines at Simplesmente Vinho, an Oporto wine fair for small, artisanal producers open to the public.  Well worth a visit).  "
Sarah Ahmed, The Wine Detective, 24/12/2014

sábado, 20 de dezembro de 2014

As castas brancas nas vinhas velhas do Dão Serrano

O post de hoje serve para partilhar convosco o resultado do trabalho de cadastro das vinhas velhas que cultivo no Dão, no sopé da Serra da Estrela.
E interessante perceber a composição das vinhas em termos de castas, pessoalmente retiro ensinamentos.

Focamos hoje nas castas brancas.
Brancas que andam nas vinhas misturadas com as castas tintas.

De ha dois anos para ca tenho as vindimado a parte, vamos por isso poder provar o resultado nos vinhos brancos de 2013 e 2014.

Então, segundo o cadastro viticola tenho la estas castas brancas:


O primeiro ensinamento é que o field blend é dominado por duas castas brancas, a Siria e a Fernão Pires. Juntas constituem 60% das cêpas brancas presentes nestas vinhas velhas do Dão Serrano.

Siria
A Siria é a casta mais presente, cerca de 35% do encepamento branco.

Trata-se de uma casta muito antiga na região, como testemunha esta cêpa centenaria.

No Dão tambem é conhecida pelo nome de Alvadurão.

Esta casta esta presente de norte a sul do pais, sempre no interior. No Alentejo é conhecida por Roupeiro, no Douro por Codega. E na Beira Interior que se tem ouvido mais falar dela nos ultimos anos. 

A Siria, tal como algumas outras tintas, é uma casta que se encontra dos dois lados da Serra da Estrela, quer na Beira Interior, quer nas vinhas velhas do Dão Serrano. 








Fernão Pires

A seguir a Siria, vem a Fernão Pires. 

Casta bastante conhecida no litoral, em particular na Bairrada, tambem sob o nome de Maria Gomes. 

A Fernão Pires era uma das castas preferidas dos pequenos lavradores do Dão Serrano, como testemunham estes 25% do encepamento branco.

Cada vez que falei com os velhotes da aldeia sobre castas brancas, a Fernão Pires era sempre mencionada com carinho.

E uma casta que amadurece bem e que traz bastante sabor ao mosto.









Borrado das Moscas

Em terceira posição aparece a Bical com 14%.

A Bical tambem é das favoritas dos lavradores do Dão Serrano.

Localmente não é por este nome que a conhecem.
Utilizam sim o nome bem beirão de "Borrado das Moscas", nome que se refere as pequenas pintas castanhas presentes na pelicula dos bagos.

Pessoalmente é uma das minhas castas preferidas, pois gosto muito dos vinhos onde entra que provei quer no Dão, quer na Bairrada.

Com estas três castas, Siria, Fernão Pires e Bical obtemos 74% do lote.








Dona Branca
A seguir com os seus respeitaveis 8% aparece uma curiosidade, a Dona Branca.

Trata-se de uma casta que pessoalmente não conhecia.

Na net encontramos informação que indica de que se trata de uma casta vinda de de terras de nuestros hermanos.
Pois em Espanha em regiões fronteiriças com Portugal, nomeadamente na Galicia e em Castilla y Leon existe uma casta chamada Doña Blanca.

Uma casta ibérica, cuja presença no Dão talvez resulte de intercambios historicos, transfronteiriços. Afinal o vinho é mesmo isso resultado de movimentos de intercambio ao longo dos anos, dos séculos, entre regiões ou mesmo paises.









Arinto
Em quinta posição encontramos outra casta mais conhecida noutras regiões, sendo Bucelas o local onde atingiu mais fama. Estamos a falar do Arinto.

E se existe uma casta chamada Arinto do Dão, neste caso estamos mesmo a falar do Arinto de Bucelas.

Nas vinhas velhas que cultivo representa 5% do encepamento branco. 
Reconhece-se facilmente nas vinhas pelo seu cacho bastante apertado, de bagos pequenos, geralmente verdes, acastanhando na altura da maturação.

E uma casta que contrbui ao blend com a sua acidez natural elevada.






Para finalizar o field blend, encontramos 13% de castas diversas. 

Encruzado

Muitas castas diferentes, em quantidades residuais, apenas algumas cêpas.

Nestas "diversas" encontramos por exemplo o famoso Encruzado, aqui com apenas uma dezena de cêpas.

Uma casta que poderia ter desaparecido sem a aposta que tem vindo a ser feita na região ha duas décadas para ca.

Encontramos tambem de forma residual, a Malvasia-Fina ou a Rabo de Ovelha, entre outras.













E assim termina o texto de hoje. Nos proximos tempos publicarei um post similar, desta vez sobre as castas tintas presentes nestas vinhas.

Despeço-me com um voto de Feliz Natal para todos vos!

domingo, 14 de dezembro de 2014

A replantação das falhas nas vinhas velhas

Duas das vinhas velhas que cultivo apresentam um numero importante de falhas. Vinhas com cerca de 90/100 anos.
Falhas que resultaram da morte de cêpas que não resistiram ao tempo e ao trato.
Nestes dois casos, a proporção das falhas é bastante elevada, tornando a exploração desta duas vinhas quase irracional.
E em anos maus como 2014 em termos de quantidade, manter estas vinhas torna-se quase num acto heroico, pois cada uma destas duas mal deu para uma barrica.
Das duas uma... Ou abandono estas vinhas ou tento replantar as falhas (sendo que mesmo replantadas, a quantidade mantera-se bastante baixa).

Falhas na vinha da Serra
Decidi lançar-me no projecto de replantar as falhas.
Mas não quero fazê-lo mal, quero respeitar o caracter do local, o caracter de cada vinha. Não quero alterar o caracter do vinho resultante de cada uma destas duas parcelas.
Por isso não quero plantar bacelos enxertados, comprados no comercio.
Não vou plantar Tourigas, nem outro material pronto a plantar.


Como disse quero respeitar o caracter de cada vinha e por isso, na minha opinião, isso so sera possivel plantando material vegetativo proveniente da propria vinha.
Isso implica perder um ano em relação a solução de facilidade que seria de plantar bacelos enxertados do comercio.

Vou ter de plantar na proxima primavera bacelos para no ano a seguir enxerta-los no proprio local com varas selecionadas na propria vinha.

Falhas na vinha do Monte Selvagem
Tenho por isso andado a pesquizar sobre quê bacelos escolher para plantar nestas condições (solo granitico do Dão Serrano, solo muito pobre e onde ja existe vinhas antigas com raizes fundas a dificultar a plantação de plantas novas). Os bacelos têm de apresentat alguma versatilidade, dado a quantidade de castas diferentes de que serão o suporte.


As varas que servirão a replantação serão escolhidas no proximo verão. Estou a refletir sobre quais os critérios a ter em conta para a seleção. Estou a me orientar para a seleção apenas de varas tintas de maneira a poder chegar a um minimo de produção de tinto em cada vinha.
Penso escolher varas de castas antigas menos usuais, escolher principalmente varas das plantas mais residuais, para aquelas que estão mais em perigo de extinção.


A nivel de viticultura este projecto sera a principal novidade do ano. Quase que deveria escrever ano(s) ao plural pois estas coisas como perceberam não se fazem em um ano.

Vai-me dar gozo realizar este novo projecto!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Procuram uma prenda para o Natal?

Foto by Ricardo Bernardo

Fica a sugestão da Palheira para as prendas de Natal : Dão Antonio Madeira vinhas velhas 2011,
o primeiro vinho deste projecto de vida.
Espero que disfrutem do vinho, esta num belissimo momento!

domingo, 23 de novembro de 2014

O Tourigo do Douro no Dão

Ja ouviram falar da casta Tourigo do Douro?

Pois eu não conhecia.
Em Agosto 2014 o identificador da CVR do Dão encontrou 4 cêpas desta casta na vinha centenaria.


Segundo ele, era uma casta que existia nos vinhedos antigos do Dão.
Ele ja não via esta casta ha anos no Dão.
Trata-se de uma de aquelas castas que estão a desaparecer e que convem estudar.

sábado, 15 de novembro de 2014

A casta Alicante-Bouschet no Dão Serra da Estrela

Em posts anteriores, tinha-lhes falado de uma casta tintureira que encontrava misturada com outras castas nas vinhas velhas que cultivo. Na minha aldeia, Santa Marinha, os velhotes chamavam esta casta "Tinta de Mina".


Este ano, finalmente consegui descobrir de que casta se trata.


Afinal, estamos a falar do Alicante-Bouschet.


Os cachos reconhecem-se pela cor vermelha do engaço.


Afinal, percebi que embora de maneira residual (2% a 7% nas minhas vinhas velhas) o Alicante-Bouschet esta ha muitos anos no Dão.

sábado, 8 de novembro de 2014

Dão Antonio Madeira 2011 no EVS 2014

Este fim de semana estou no Encontro com Vinho e Sabores, o evento anual organizado pela Revista de Vinhos em Lisboa, na Junqueira.

Estou a dar a provar o meu vinho de 2011 a quem nos quiser visitar, no stand da Niepoort Projectos.

Apareçam!

sábado, 1 de novembro de 2014

A vinificação do branco de 2014

Este ano voltei a fazer vinho branco.

Com o meu amigo Luis Lopes, enologo da Quinta da Pellada, voltamos a vinificar sem uso de produtos enologicos, sem adição de enzimas, de PVPP, de leveduras, etc...


Voltamos a "inovar", trabalhando o mais natural possivel.


Voltamos a fazer vinho de sumo de uva.


E ao fazê-lo sentimos um enorme gozo.


Sentimos que estamos a fazer algo de unico.


E assim vamos continuar, fazendo aquilo que gostamos, aquilo em que acreditamos.

domingo, 26 de outubro de 2014

As vindimas de 2014

Terminadas as vindimas de 2014, chegou a hora de fazer um primeiro balanço, provisorio, incompleto, mas que ja permite retirar varios ensinamentos.

As vindimas de 2014 foram as 5as que fiz e claramente as mais complicadas, as mais dificeis de realizar.

Cheguei ao Dão em meados de Setembro.

Pelo terceiro ano consecutivo, encontrei maturações ainda incompletas, a precisar de mais tempo, encontrei um ano tardio.

Uvas belissimas, mas ainda sem chegarem ao "ponto" de equilibrio que procuro.


Na prova dos bagos notava-se ainda verdura, embora tambem se notasse que o ponto ja não estava muito longe.









A primeira medição do alcool provavel ocorreu no dia em que cheguei, dia 13 de Setembro.




As amostras das diferentes vinhas indicavam um potencial de alcool provavel a volta dos 11% em varias parcelas.

Assim que cheguei, levei com uma semana e meia de tempo instavel, na maior parte do tempo de chuva.

Foram dias dificeis, stressantes.

As vindimas poem a prova o viticultor, é um momento determinante.

Em circunstancias como as de 2014, ficamos na altura a pensar se todo o trabalho do ano, não vai abaixo e com ele as nossas esperanças, ficando o futuro do projecto em risco.




Passamos por estes momentos, procurando soluções, tentando gerir o melhor que sabemos.
No meu caso esperei por uma acalmia do tempo para começar a vindimar o branco que estava espalhado pelas diversas vinhas velhas.



Dia 18 de Setembro de manhã, uma quinta-feira, la fomos nos vindimar o meu branco de 2014.

 Com o meu sogro, tios e familiares a ajudar, la fomos nos.

Gente a quem devo muito, que me ajudaram a vindimar com grande dedicação e rigor.

Foram espectaculares! Nunca vou esquecer. Gente boa.













Nesse dia, tive a visita do meu amigo François Chasans, da Quinta da Vacariça, na Bairrada.




 O François é um francês apaixonado por Portugal e seus vinhos, apaixonado pela Baga e que tem desenvolvido o seu projecto vitivinicola na Bairrada, procurando a exelência em cada pormenor.

Um amigo de verdade, com quem tenho aprendido muito.










Encontramos belas uvas brancas, frescas, sãs, a entrar na fase madura.

Um equilibrio mais fresco do que no ano anterior, prometedor.

Ao menos o branco estava safo.













Faltava então o tinto.
A chuva continuava a ameaçar.



Basicamente o tempo estava com nos pesadelos dos viticultores, muito mau mesmo.

Condições dificeis para amadurecer a uva e propicias para o desenvolvimento de podridão.

Ao fim de uma semana de espera pude apanhar as primeiras uvas tintas.

Uvas provenientes das parcelas mais adiantadas a 20 de Setembro, das vinhas com maior exposição solar.

Depois tive de esperar mais uns dias que voltasse a parar a chuva, para ver como estava o resto das vinhas que faltavam de vindimar.



A podridão desenvolvia rapidamente em algumas vinhas, principalmente em castas mais sensiveis como a Baga.

Tinha de apanhar a uva sã, deixando de lado os podres. Um trabalho de triagem na vindima, na propria vinha, que não deixou ninguem feliz. Mas tinha de ser.

Ao todo perdi uns 40% da quantidade de uva que pretendia fazer este ano. Perdas elevadas.

Foi duro, muito frustrante.

Perdemos uvas não so pela podridão cinzenta que tinha aparecido nestes utimos dias, mas tambem por alguma podridão acética de bagos rebentados por causa da traça.
Traça que algumas das vinhas tinham apanhado mais cedo no ciclo vegetativo.

As perdas tambem se devem ao facto de muita uva não ter nascido este ano. Varias cêpas ficaram este ano sem dar cachos, fenomeno estranho, que se constatou no Dão e no pais em muitas vinhas. Até agora ninguem me soube explicar bem as causas deste fenomeno.

Portanto, no meu caso, 2014 não foi um grande ano em quantidade, o que para "as contas" não é muito bom... Faz parte das regras do jogo, a vida do agricultor tem destas coisas.


Olhando pela positiva, perdi quantidade, mas menos do que cheguei a temer. Posso me dar satisfeito por ter vindimado e ter vinificado este ano.

Tentamos apanhar apenas a uva boa e tirar o melhor partido da quantidade apanhada.

As analises aos tintos na vindima, estavam algo atipicas.
A analise média era de 12% de alcool provavel, pH de 3.2 e acidez total de 8 g/L.

Niveis de acidez mais usuais em brancos, pH bastante baixos, alem da graduação pouco puxada, marcam os vinhos desta colheita. Espero por isso vinhos cheios de energia, vivos. Veremos o que nos dirão as provas no futuro.

As fermentações decorreram bem.
Cheguei a recear que as leveduras indigenas tivessem sido demasiado "lavadas" pela chuva abundante deste mês de Setembro, mas tudo correu bem, felizmente, o que me conforta na ideia que não que ter receio de deixar fermentar o mais natural possivel.


Agora os vinhos resultantes repousam em cubas a espera da primeira trasfega.
Obviamente ainda é cedo para prognosticos, embora palpite que alguns estarão melhor que outros.

A vindima, essa, acabou.
Agora é tirar lições para o futuro e continuar o trabalho.


sábado, 11 de outubro de 2014

sábado, 30 de agosto de 2014

A base tinta

Tive a oportunidade de recentemente percorrer as vinhas velhas que cultivo, com a companhia de um identificador de castas.
Foi super interessante, aprendi bastante, foi mesmo muito bom.

Baga na vinha centenaria, 14 Agosto 2014
Partilharei convosco posts sobre as vinte e tal castas identificadas, brancas e tintas.

Fica para ja uma sintese sobre a estrutura base destas vinhas junto a Serra da Estrela, em termos de castas.
Confirma-se que nos tintos, estas vinhas baseiam-se em 3 pilares :

  1. Baga
  2. Tinta Amarela (aka Trincadeira)
  3. Jaen (aka Mencia)

Tinta Amarela, centenaria, 14 Agosto 2014

Parece-me que a ideia base dos antigos, ao plantarem assim, era com o objectivo de criar um equilibrio base aos vinhos, com a Baga e a Trincadeira a trazer a coluna vertebral ao vinho e a Jaen a trazer largura de corpo, criando-se assim uma harmonia entre acidez, taninos e alcool.

Esta estrutura é depois completada por uma variedade de castas importante. Um "fine-tuning" de certa maneira, que entre outros, vem aumentar a complexidade do vinho.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Mix

Faltam duas semanas para voltar a fazer vinho :)
Aquilo que gostaria de fazer vida.
Na espera, vai uma musica calma e com caracter para ajudar.
Paz e amor!




domingo, 24 de agosto de 2014

Em meditação


A vida é rica em ensinamentos.
Por vezes, vale a pena fazer uma pausa.
Para refletir sobre o sentido das coisas, sobre o valor da verdade, sobre a complexidade das relações humanas.
Voltarei um dia destes.

sábado, 9 de agosto de 2014

Regresso efêmero

Terça-feira regresso a terra dos meus avos, por uns dias.

Foto de Domingos Alvão - Dão - 1949 - Foto pertencente a CVR do Dão 
Vai ser curto, 3 dias, mas intenso.

Ja ha 3 meses que estou impedido de ir as vinhas, estou impaciente de as rever. Sei que estão bem, apesar dos perigos deste ano dificil a nivel de clima.

Estou tambem impaciente de voltar a provar os diversos vinhos de 2012 e 2013. As noticias sobre as suas evoluções são entusiasmantes.

Sera tambem o momento de começar a preparar varias questões ligadas a proxima vindima.

Como disse poucos dias, mas intensos!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ensaio de contra-rotulo

Estou a preparar o texto para o contra-rotulo do 2012
Que acham?




Historical portuguese terroir of Dão Serra da Estrela

Castas autóctones esquecidas – Vinhas velhas misturadas
Vida estimulada por um trabalho dos solos sem herbicida
Leveduras indígenas, vinificação sem adição de quimicos

Vieilles vignes complantées - Cépages autochtones oubliés
Vie stimulée par un travail des sols sans herbicides
Levures indigènes, vinification sans intrants

Native forgotten varieties – Old vines – Field blend
Life stimulated by soils worked without herbicides
Indigenous yeast, vinification without chemicals



terça-feira, 22 de julho de 2014

Ja ha pintor!

Chega-me a informação do Dão Serrano de que ja ha pintor.

Isto em quase todas as vinhas de que cuido.

Sem surpresas a vinha centenaria apresenta-se como a mais adiantada e a vinha da Serra a mais atrasada, neste momento a unica ainda sem pintor.

sábado, 12 de julho de 2014

Prova em Paris

No ultimo sabado fui convidado para participar numa prova em Paris, dedicada aos vinhos portugueses.

Foi interessante ver tanta gente interessada em descobrir o mundo dos vinhos portugueses, cerda de 50 pessoas inscreveram-se e vieram as duas sessões previstas nessa tarde. Gente jovem, entre os 25 e os 40 anos, gente cosmopolita e curiosa.

3 vinhos foram apresentados ao publico presente, um branco da região dos Vinhos Verdes, um tinto de Palmela e finalmente o meu Dão 2011.


Como co-animador da prova, foi bom poder obter feed-back ao vivo sobre o meu 2011 e tambem poder contribuir a divulgação do Dão e mais largamente do vinho de Portugal.

Tentei passar a ideia ao publico presente, que Portugal era semelhante a França em varios aspectos.

Fazem ambos parte da velha Europa, a vinha esta la desde o tempo dos romanos, e como tal o vinho faz parte da cultura. Estas raizes longiquas explicam tambem a diversidade de castas autoctones que encontramos em Portugal.

Outra semelhança que tentei fazer passar é o da diversidade de regiões e estilos. Falar de vinho português não é falar de um modelo unico, de um standard, de uma norma, mas sim de diversidade. Provamos 3 regiões, vinhos verdes com a sua acidez e influência atlântica, Palmela com o seu lado arenoso e sulista, caloroso e finalmente o Dão, com a sua frescura e elegância, num estilo nordico em pais mediteranico.
A prova destas diferenças permitiu ao publico perceber que atras do termo de Portugal, existe um mundo de diversidade por explorar.


No final fiquei muito contente por ter contribuido a causa do vinho de Portugal e satisfeito pelo reconhecimento do meu 2011.

No final vieram-me alguns flashes do filme "La cage dorée" quando os poucos luso-descendentes (como eu) me vieram falar.

Foi nesse momento que um deles me deu o maior elogio que me poderiam ter dado. O rapaz em questão, com raizes em Leiria, dizia-me que o pai dele era "caviste" (dono de uma garrafeira) antigamente, e que naquela altura o pai bebia muito Dão. O rapaz recordava-se que não gostava desses vinhos, mas que nesta prova o meu 2011 o reconciliou-o com o Dão. Este comentario encheu-me as medidas! Dever cumprido!