quarta-feira, 10 de maio de 2017

As vinhas em Abril / inicio de Maio 2017

Fim de Abril / Inicio de Maio 2017

Fotos de algumas das vinhas velhas que cultivo.

Dente-de-leão - Pissenlit - Dandelion

Babies

Cortada - tondue

A lavra

Um ano precoce


Cada vinha tem um solo diferente


Uns mais pobres, outros mais ricos


Sempre com a Serra da Estrela em pano de fundo

O gimnasio continua!






sábado, 22 de abril de 2017

Replantação de falhas

Voltamos hoje ao Dão Serra da Estrela para vos mostrar um pouco o que fizemos nas vinhas no inicio de Abril.


Estivemos a replantar falhas em duas vinhas velhas.


Tinhamos plantado ha dois anos bacelo bravo. 
Agora fomos enxertar com varas das proprias vinhas, varas que tinhamos escolhido em cêpas que tinhamos marcado no ultimo verão. 


Estas novas plantas irão começar a produzir daqui a uns anos.


Vamos assim mantendo vivas as vinhas, com material genetico proprio, mantendo-se a identidade original de cada parcela.

video







domingo, 26 de março de 2017

Os vinhos portugueses que mais me marcaram neste inicio de 2017

Ao contrario do costume, o post de hoje não vai servir para vos relatar as minhas aventuras enquanto vigneron.

Hoje apetece-me falar de outros vinhos, de vinhos de gente amiga que tem feito na minha opinião um grande trabalho. Antes de ser vigneron, era e continuo a ser, enofilo. Gosto de provar, gosto de beber vinho. Gosto de puxar a coisa cada vez mais longe. Tive a sorte de por ser parisiense ter acesso a muita coisa que em Portugal ainda é ambrionario. O meu gosto, um pouco a semelhança do que se passa um pouco por todo o planeta vinho, tem se orientado para vinhos de terroir, para vinhos com o menos de interferencia possivel entre a terra e o copo, os vinhos a que chamo de "naturais".

Hoje em dia em Portugal estão a ser desenvolvidos projectos nesta onda. Ainda são poucos, é certo, mas permitem me ter alguma coisa para beber a mesa que me dê verdadeiramente prazer.

Poderia falar de varios vinhos e de varios projectos e pessoas, mas hoje vou me focar nos 3 que mais me emocionaram neste inicio de 2017. Vinhos que tive a oportunidade de provar nas ultimas semanas, principalmente a volta dos eventos Simplesmente Vinho, no Porto e em Barcelona, mas não so.

Esta lista não é exaustiva do que se faz de bom em Portugal, havera mais oportunidades para falar de outros projectos, não me levem a mal.

Em todo o caso, o que escrevo aqui reflete a minha sincera opinião. Havera sempre gente que não vai gostar que eu dê a minha opinião. Paciência.


Os vinhos do Slava Izmailovs
O Slava é rapaz que conheço ja ha alguns anos. Originario da Letonia, vive em Portugal com a sua familia, mas passa grande parte do seu tempo a viajar pelo mundo a procura de grandes vinhos para os seus clientes em Moscovo.

E uma pessoa com um conhecimento profundo do mundo do vinho, tem tido acesso ao que se faz de melhor, aos vinhos genuinos, aos vinhos de terroir que são procurados um pouco por todo lado.

Foi alem da prova e tentou perceber as tecnicas de trabalho que estão por detras destes vinhos, na vinha e na adega.


O Slava começou agora a lançar alguns dos seus vinhos pessoais, vinhos de diferentes regiões portuguesas. Vinhos com o nome "umbrella" de "Fio de Terra".

Num almoço recente, tive a oportunidade de provar os seus brancos da Bairrada (feitos em colaboração com o Mario Sergio da Quinta das Bageiras) e os seus tintos do Dão (feitos em colaboração com a Quinta dos Roques).

Fiquei sinceramente impressionado. Impressionado com os vinhos e impressionado com as capacidades em termos de vinificação, loteamento e gestão de estagio do Slava. Uma visão que faz falta ao mundo do vinho português.

Os brancos deram me um prazer como poucos vinhos me têm dado. Fantasticos! Vinhos de grande pureza, minerais, frescos, salinos, super sapidos. Mesmo bons. Vinhos que na minha opinião são de grande, grande nivel! Daquelas garrafas que podemos esvaziar em tempo recorde.

Os tintos do Dão do Slava que pude provar são tambem impressionantes de finesse e complexidade. São vinhos sapidos e que cheiram verdadeiramente a Dão. Claramente um dos tintos do Dão que mais me deram prazer nos ultimos tempos (quase que apetece dizer "finalmente!").


Os vinhos do Tiago Teles

Tive a oportunidade de voltar a provar os vinhos do Tiago Teles no Simplesmente Vinho em Barcelona, e tambem na prova do nosso distribuidor comum no Algarve, a Wine Emotions.

 Fiquei impressionado com as novas colheitas do Tiago. Os seus tintos de 2015 da Bairrada, o "Maria da Graça" e o "Gilda" estão mesmo bons. Vinhos num estilo "vin de soif", descomplicados, vinhos com grande frescura, para beber as copadas. Este estilo ja estava presente nas edições anteriores, mas nestes 2015, fiquei com a sensação que o Tiago subiu claramente de um degrau a fasquia. Estes 2015 são mesmo bons, apresentam uma intensidade de sabor impressionante. Vinhos de puro prazer.

Fiquei tambem deliciado com o seu Raiz, um branco da região dos Vinhos Verdes, feito a partir de uvas da casta Loureiro. Um vinho completamente diferente do habitual na região mas bastante coerente com o que esta a ser procurado la fora, vinho natural, sem produtos enologicos e cujas uvas foram vinificadas com maceração. O Tiago teve a coragem de engarrafar sem colagem e filtração, resulta um vinho com pouca limpidês, mas cuja intensidade de sabor tem pouco equivalentes na região.

Fiquei com a ideia que o Tiago Teles é claramente um dos representantes da nova vanguarda do pais, pela visão, pela cultura vinica e pela audacia e resultados alcançados nos seus vinhos.

Mais um caso de alguem que esgosta toda a produção la fora, sem o devido reconhecimento e procura ca dentro.


Os vinhos do Pedro Marques

O Pedro é outro amigo cujo trabalho e vinhos vou seguindo ha alguns anos.


A verdade é que cada ano que passa, sinto progressão nos resultados e hoje fico impressionado com a qualidade e o caracter dos vinhos que esta a produzir a partir de vinhas ainda muito novas.

Se hoje em dia com vinhas quase "bébés" ja apresenta estes resultados, então não ha duvidas do
potencial deste projecto, o futuro sera sem duvida risonho.

Os vinhos do Pedro, os Vale da Capucha, são principalmente conhecidos pelos seus belos brancos atlanticos. Mas na minha opinião, devemos ter atenção aos seus tintos. Fiquei recentement impressionado com o sue Fossil Tinto, um vinho tinto que apresenta uma mineralidade (calcario) pouco comuns. Um vinho onde sentimos iodo como poucos.


Como disse na introdução, ha mais bons exemplos de vinhos que me enchem as medidas pelo pais fora. Mas hoje apetecia me falar destes rapazes e dos seus vinhos. Bem merecem!





segunda-feira, 20 de março de 2017

In Up Magazine - TAP Portugal - Março 2017



"Eis uma história curiosa. António Madeira é um luso-descendente de Paris e, apesar de ter obtido o diploma de engenharia numa das mais prestigiadas universidade gaulesas, mandou “tudo às urtigas” e em 2016 estabeleceu-se definitivamente na terra dos pais com o objetivo de fazer os seus vinhos. Começou em 2010 a arrendar pequenas vinhas e a fazer experiências, aplicando o método de Borgonha e uma filosofia simples: muito trabalho na vinha para não ter que corrigir na adega. Atualmente tem 15 pequenas vinhas, muitas delas centenárias: “Nos meus vinhos sente-se o solo, o granito, as ervas aromáticas, as resinas, toda a paisagem da região cabe num copo”. Considera cada cepa como um ser humano, todas são diferentes, por isso as suas parcelas são uma espécie de “museu vivo”. Cada uma é vinificada separadamente, o que implica 15 lagares, 15 cubas e 15 barricas. Tome nota do rótulo: Dão - António Madeira. Primeiro o terroir e depois o nome do produtor, à boa maneira francesa, mas com todos os pergaminhos do bom vinho português."



Up Magazine - TAP Portugal - Março 2017




sexta-feira, 17 de março de 2017

Simplesmente Didu Russo em reportagem pelo Dão

Partilho convosco o link de uma excelente reportagem pelo Dão efectuada pelo nosso amigo brasileiro Didu Russo. aquando da sua vinda a Portugal para o Simplesmente Vinho em Fevereiro.

http://www.didu.com.br/2017/03/simplesmente-vinho-2017-dao/

Podem ver neste posts videos onde o meu amigo Alvaro Castro apresenta as suas ideias sobre o Dão, a enologia e a viticultura na região. Faço o mesmo nos videos seguintes.

Espero que passem um bom momento.

Viva o Didu!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A prova no Simplesmente Vinho 2017

Dias 24 e 25 de Fevereiro espero me encontrar com vocês no Simplesmente Vinho, no Porto.


Vou levar os novos vinhos que vou lançar nos proximos meses, 3 tintos de 2014, o branco 2015 e o rosé 2016. Nos tintos temos um belo Vinhas Velhas 2014, o single vineyard A Centenaria 2014 e o Tinto Colheita, a novidade deste ano.


Um vinho mais simples e descontraido, um vinho para beber e que mostra a filosofia da casa, numa versão mais acessivel.

Funcionara, digamos, como o meu vinho de entrada.

Estes tintos de 2014 apresentam-se neste ano todos muito frescos e leves, com um grau de alcool moderado, na casa dos 12/12,5%





O branco 2015 promete muito, esta nesta altura a ser engarrafado, depois de dois invernos de descanco. Um vinho que fermentou quase um ano e que a semelhança dos anos anteriores se apresenta muito puro e focado na mineralidade, na sanilidade. Agora tambem com um ligeiro contributo de barrica (500L em 3000).

O rosé 2016 foi agora engarrafado, um rosé seco, vinoso, fresco e estruturado, oriundo de vinhas velhas com muita casta misturada, e tal como em todos os meus vinhos, fermentado pelas leveduras das proprias uvas, vindas das vinhas. Um rosé do terroir do Dão Serra da Estrela.

Espero que possam vir provar ao Simplesmente Vinho.
Até breve!

domingo, 1 de janeiro de 2017

2016, um ano cheio!

Partilho convosco neste post algumas imagens marcantes do ano 2016.
Foi um ano cheio, em que não se parou de correr, nesta luta quotidiana pela concretização do nosso sonho de vida.

Começou com a poda invernal

Os solos estão ano apos ano com mais vida.


Passamos dias e dias a levantarmos a 5h30 para irmos fazer os trabalhos em verde pela fresca, nos dias quentes do verão.



Trabalhos que ajudaram a obter uvas sãs na altura das vindimas.


Vindimas em que pude contar com a ajuda do tempo, clemente no mês de Setembro, o que permitiu, neste ano tardio, esperar pela boa maturação das uvas. Vindimamos entre fim de Setembro e inicio de Outubro.



Vindima em que mais uma vez a ajuda de familiares e amigos foi preciosa.


2016 foi um ano em que pude continuar a fazer muitas vinificações, umas vinte.


Vinificações por parcelas nos tintos. 


Mas tambem experiências, nas outras cores.

Palhete sem sulfuroso

Fermentações de brancos em grandes volumes
Vinificação de branco de vinhas velhas sem sulfuroso



O meu branco 2015 la terminou em Julho 2016 a sua fermentação alcoolica, quase um ano depois. Foi tambem o primeiro ano em que deixamos fazer o malico. O resultado promete. Por enquanto continua o estagio, um segundo inverno, para uma estabilização e clarificação natural, sem recurso a produtos exogenos. O engarrafamento devera ocorrer no inicio de 2017.
2016 foi o ano em que lancei mais vinhos, mostrando ensaios em blends especiais, assim como single vineyards, expressões de sitios especiais.


Lancei tambem o meu primeiro rosé, de 2015, um dos raros feitos de uvas de vinhas velhas, 20 castas e provavelmente mais do dobro em variedades de leveduras indigenas.
Engarrafou-se os tintos de 2014, que agora repousam a espera de digerir o traumatismo do engarrafamento.

2016 foi tambem um ano em que recebi varias visitas. Gente interessada em conhecer melhor os vinhos e o nosso trabalho.


Foi um ano, em que tentei participar o que podia em feiras e provas.
Andei assim a apresentar os vinhos em Portugal, no Porto, em Lisboa e no Algarve.

No Porto, no Simplesmente Vinho
No Algarve, com a Wine Emotions
Mas tambem la fora, principalemente em Paris, Barcelona e Londres.

Em Barcelona, Simplesmente Vinho BCN

Em Paris, no primeiro salão dedicado ao vinho português

Em Londres, no RAW, respresentando os vinhos naturais de Portugal
Foi um ano, em que aos poucos la vamos saindo do anonimato, com alguns artigos a sair na imprensa especializada.

 

Mas foi sobretudo um ano em que felizmente pude contar com o suporte de amigos nos bons e nos maus momentos.




Ajudam a nos sentir menos sos.
Sem a amizade, nada vale a pena!

Nada melhor do que partilharmos umas garrafas!
Um dos grandes amigos que me tem ajudando imenso, é o meu sogro. Verdadeiro vigneron, homem da terra, tem sido a peça essencial em todo este puzzle, principalmente na vinha.
2016 foi tambem um ano em que pude continuar a contar com o apoio das equipas da Pellada e da Niepoort. Sem o apoio destes grandes homens do vinho português, não teria sido possivel realizar este sonho. Felizmente ainda existem gentes boas neste mundo cada vez mais individualista.


Foi um ano em que apareceram novos clientes e em que os ja existentes me ajudaram a crescer. Clientes que em alguns casos se tornaram amigos. São eles que vão colocando os vinhos nos sitios onde merecem estar.

2016 foi portanto um ano em que pude contar com a colaboração de dezenas de pessoas nas diferentes areas, nas vinhas, nas vindimas, na adega, na parte administrativa, na parte comercial. 
Sozinhos não somos nada, devo muito a toda esta gente!

Agora entramos em 2017, um ano especial para mim e a minha familia por varios motivos.
Continuaremos a lutar pelos nossos ideais, pelos nossos sonhos!
Façam-me o favor de fazer o mesmo nas vossas vidas!